Caiu a internet
- Henke Henning
- 15 de out. de 2025
- 1 min de leitura
Caiu a internet e tudo ficou em silêncio. Tudo, menos meus pensamentos.

Por alguns segundos, achei que fosse coisa rápida. Um pico, um susto, uma oscilação. Mas não. Lá estava eu, sozinho, sem memes, sem notificações, sem o consolo de um vídeo aleatório para preencher o tempo. O Wi-Fi piscava, insistindo em me lembrar:
você está desconectado.
Foi estranho perceber o quanto o silêncio torna-se barulho quando ele não é escolha. Ficar sem internet é como aqueles sonhos onde você está nu na frente da escola inteira. Não sei mais o que fazer com as mãos, com o olhar, com o tempo. Nessas horas eu percebo o quão desconectado estou da realidade.
Sem rolar o feed, comecei a rolar pensamentos. Sem um vídeo falando no meu ouvido, a voz interior veio forte. Lembrei de conversas, projetos, responsabilidades e… sentimentos. O barulho do mundo não mais esconde o barulho de dentro. Quando tudo se cala, o eco vem alto.
Eu sou tão péssima companhia assim que não consigo ficar um minuto na minha presença? Me distraio de mim o tempo todo — e a internet é ótima pra isso. Ela não deixa sobrar espaço entre um pensamento e outro, e talvez seja justamente nesse espaço que as coisas importantes moram.
A luz verde piscou.
Quando o Wi-Fi voltou, confesso que senti um alívio quase espiritual. O barulhinho da notificação soou como se eu ouvisse alguém conhecido chamar meu nome e eu tivesse, finalmente, uma desculpa para sair de perto desse chato (eu).
Sinceramente, nada pareceu tão real quanto o silêncio.




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