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Diversidade não é “checklist” de campanha

Muito menos “lacração”. Representatividade na sua campanha — e na sua empresa — tem a ver com reconhecer e atingir um público que é diverso.


Quantas vezes você já viu uma marca colocar uma pessoa negra, uma pessoa trans ou PCD no comercial, mas, quando olha para dentro da empresa, não encontra nada disso refletido nas equipes? Uma empresa que lança uma campanha de diversidade sem ser diversa pode ser vista como greenwashing ou diversidade de fachada e é vista de forma negativa, já que isso não é uma prática sustentável para os negócios e prejudica a credibilidade da empresa.


A representatividade na comunicação não pode ser só vitrine. Se a diversidade aparece só na peça, mas não na criação, na direção ou na tomada de decisão, o público percebe. Não quero citar nomes aqui, mas todos devem ter na mente alguma campanha que causou essa má impressão.


Se posicionar tem um preço, mas ficar de fora da discussão também; A escolha é sua

“Olá, gays…”


Comunicar de forma diversa é escutar de verdade. É deixar que diferentes vozes contem suas próprias histórias. É entender que não existe mais espaço para um único padrão de beleza, de corpo ou de família. Mas um dos pontos principais é não engajar em campanhas contraditórias aos valores da empresa apenas por conta da data. Exclusivamente no “Mês do Orgulho”.


E, sim, isso é estratégico. Marcas que ainda tratam diversidade como obrigação estão perdendo relevância. Marcas que entendem diversidade como potência estão criando campanhas mais humanas, conectadas e memoráveis.


Quem lacra com diversidade não lucra?


Tentar culpar as marcas pelo “lacre” ignora uma realidade simples: boicotes ruidosos quase nunca se traduzem em prejuízo real. O que muda de verdade é a reputação. Marcas que defendem causas como diversidade, inclusão e igualdade assumem riscos no curto prazo de ficar “mal na fita” com um determinado público, mas garanto que ganham credibilidade, fidelidade e relevância do outro lado.


A narrativa de ”quem lacra não lucra” é uma justificativa conveniente para quem prefere continuar invisível, e sabemos que a última coisa que um publicitário quer para a marca é que ela passe despercebida. Se posicionar não é apenas uma questão de marketing, é escolha de apostar na autenticidade como diferencial competitivo.


Então vou deixar aqui duas reflexões: sua marca vai evitar o desconforto para seguir fazendo lucros seguros, ou vai ser lembrada por algo que valeu a pena? Sua marca quer ser parte da mudança ou continuar fingindo que participa dela?


Texto originalmente publicado na comunidade Publicidade ES

 
 
 

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