Onde fica Viena?
- Henke Henning
- 29 de out. de 2025
- 2 min de leitura

Outro dia, ouvi Billy Joel cantando para diminuir o passo, pois Viena me espera. Ainda bem, porque sair do Brasil para lá demora quase o dia inteiro. Se contar com o possível atraso do voo, perda de escala, passar na imigração e esperar um táxi para te levar ao seu destino, pode esperar que é mais que 24h de aventura. Mas ele não mora aqui. De onde ele vive, nos Estados Unidos, até lá, são umas 10h de viagem.
O que será que ele quis dizer então? Viena te espera…
A música é dos anos 70, quando “pressa” era só chegar em casa antes da novela começar. Hoje, a gente tem pressa até em relaxar. “Já fiz meu exercício e meditei cinco minutos aqui no app. Agora sim, tô zen.” Naquele tempo, Billy já falava sobre não tentar viver tudo de uma vez. Que a vida é longa e que dá tempo. Por isso, a música nos dá o lembrete de que não precisa correr tanto que a vida é longa.
Mas o mundo pós-moderno respondeu: “Ah é? Então olha todo esse sucesso profissional, corpo de atleta, diploma, aposentadoria antecipada e um feed bonito que tem ao seu redor. Preciso disso tudo pra ontem.” A gente corre, tropeça, recalcula rota, tenta responder mensagem no trânsito e ainda acha que dá pra fazer yoga entre duas reuniões.
Mas afinal, o que é essa Viena?
Viena é a capital da Áustria. Para Joel, foi onde ele encontrou o pai e viu que a vida não termina na velhice e como os idosos ainda podiam ser ativos na sociedade. Isso fez ele refletir que ainda há tempo para tudo na vida.
Talvez para você o caminho para conhecer Viena seja respirar fundo sem culpa. O momento em que o café esfria e, em vez de reclamar, você faz outro e, desta vez, faz uma pausa para apreciá-lo. Viena é aquele sonho que não precisa virar meta, planilha.
Talvez a viagem para Viena seja aquele domingo sem culpa, quando você acorda sem despertador e o maior compromisso do dia é decidir se almoça às 14h ou espera mais um pouco para comer algo especial.
Viena é a vida que existe entre uma notificação e outra. Está lá, paciente, esperando você desacelerar o passo, respirar um pouco e entender suas prioridades. Ou seja: aproveitar o caminho até ela.
Nos anos 70, Billy já percebia a ansiedade de um tempo que nem conhecia a internet. Imagine se ele visse a quantidade de informações do feed de hoje, onde todo mundo parece estar chegando lá enquanto você ainda está tentando descobrir onde está.
Não digo para largar tudo e apenas viver. Isso é irreal. Digo apenas para dividir com sabedoria seu tempo de telas, de trabalho e de aproveitar o que realmente te importa.
Se pergunte: O que você está perdendo por correr demais para chegar até uma meta?




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