Silêncio
- Henke Henning
- 24 de nov. de 2025
- 1 min de leitura

Tem silêncio que não incomoda e, aliás vem bem a calhar. É aquele silêncio que a gente precisa quando a cabeça vira gaveta bagunçada, tudo fora do lugar. Aí o silêncio se faz necessário pra abrir espaço.
Mas tem outro que é bem diferente. O silêncio de quando a gente está esperando uma resposta. Esse é cruel. Parece que cada segundo vira uma eternidade e o espaço aberto do silêncio se ocupa com mil coisas para tentar decifrar a mensagem escondida. Às vezes tem mesmo alguma coisa. Às vezes não. Mas o coração, coitado, não sabe diferenciar.
Tem o silêncio barulhento. Aquele que faz um escândalo dentro da gente, mesmo sem emitir som nenhum. É o silêncio que traz lembranças, que repete situações, que inventa conversas que nunca aconteceram. A solução é fazer um ruído maior para abafar. Vale música, feed, vídeo sobre fatos aleatórios a respeito dos cossacos — só pra ver se engana o pensamento.
Tem também o silêncio que chega quietinho, mal se percebe o volume diminuindo. Quando a gente nota, já faz tempo que o barulho se foi. Ficou só aquele silêncio quase tímido, mas que machuca porque revela o que ninguém teve coragem de dizer.
No fundo, cada tipo de silêncio faz alguma coisa com a gente. Alguns curam, outros cansam, outros deixam um aviso que a gente insiste em ignorar. Tem silêncio que abraça, e tem silêncio que abandona. E a gente aprende, meio na marra, que o mais difícil não é ouvir o que dizem — é entender quando não dizem.
Silêncios contam histórias inteiras. A gente só precisa ter coragem pra escutar.




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