top of page
Buscar

Silêncio


Criança no museu sozinha

Tem silêncio que não incomoda e, aliás vem bem a calhar. É aquele silêncio que a gente precisa quando a cabeça vira gaveta bagunçada, tudo fora do lugar. Aí o silêncio se faz necessário pra abrir espaço. 


Mas tem outro que é bem diferente. O silêncio de quando a gente está esperando uma resposta. Esse é cruel. Parece que cada segundo vira uma eternidade e o espaço aberto do silêncio se ocupa com mil coisas para tentar decifrar a mensagem escondida. Às vezes tem mesmo alguma coisa. Às vezes não. Mas o coração, coitado, não sabe diferenciar.


Tem o silêncio barulhento. Aquele que faz um escândalo dentro da gente, mesmo sem emitir som nenhum. É o silêncio que traz lembranças, que repete situações, que inventa conversas que nunca aconteceram. A solução é fazer um ruído maior para abafar. Vale  música, feed, vídeo sobre fatos aleatórios a respeito dos cossacos — só pra ver se engana o pensamento.


Tem também o silêncio que chega quietinho, mal se percebe o volume diminuindo. Quando a gente nota, já faz tempo que o barulho se foi. Ficou só aquele silêncio quase tímido, mas que machuca porque revela o que ninguém teve coragem de dizer.


No fundo, cada tipo de silêncio faz alguma coisa com a gente. Alguns curam, outros cansam, outros deixam um aviso que a gente insiste em ignorar. Tem silêncio que abraça, e tem silêncio que abandona. E a gente aprende, meio na marra, que o mais difícil não é ouvir o que dizem — é entender quando não dizem.


Silêncios contam histórias inteiras. A gente só precisa ter coragem pra escutar.

 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação

Contribuir

Este site é feito com tempo, café e muito amor pelas palavras. Se quiser apoiar o autor, sua doação será muito bem-vinda!☕

Valor
R$ 1
R$ 5
R$ 10

Meus Despropósitos nasceu da vontade de colocar pra fora o que transborda: histórias, devaneios e verdades que insistem em virar texto. É um projeto literário independente dedicado a textos, crônicas e reflexões sobre o cotidiano, os afetos e as incertezas de ser.

Aqui, escrevo o que penso, o que sinto e o que não sei dizer em voz alta. Meus Despropósitos é meu jeito de fazer sentido do caos.

bottom of page