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A carne só cai no prato do vegano.

A frase em um primeiro momento pode parecer piada de bar, mas carrega uma verdade incômoda. A vida, destino ou como queira chamar, tem esse talento peculiar, esse senso de humor, de colocar nas mãos de outra pessoa a chance que a gente jurava que aproveitaria muito melhor. Ou oferecer o que queremos… quando o momento é outro e já não queremos mais.


Há um tipo de dessincronia silenciosa que rege as oportunidades. Elas não seguem o mesmo calendário que a gente. E muito menos respeitam o nosso preparo. Às vezes é como um rodízio que você chega com muita fome. Come a pizza portuguesa, a de mussarela, a de milho, mas queria mesmo que chegasse a de calabresa.


O pior é que você está na mesa 15 e as pizzas de calabresa terminam antes de chegar na mesa 8 e você tem certeza de que essas pessoas estão comendo só para se empanturrar. Elas não curtem tanto a pizza de calabresa quanto você.


E é aí que mora o desconforto: ver o outro diante daquilo que você desejava, e pensar “se fosse comigo…”. Mas talvez a questão não seja o prato, nem a carne, nem o vegano. Talvez a vida só esteja testando se você entende que o tempo dela não é o mesmo que o seu.

Ou então você precisa fazer mais amigos veganos dispostos a dividir as carnes que eventualmente caírem no prato deles.


Oportunidades, no fim das contas, não são apenas sobre merecimento, mas sobre momento. E o momento certo raramente é o que a gente esperava. Às vezes, é preciso aceitar que o prato caiu na mesa errada — ou que ainda não era a sua vez de se sentar à mesa.

 
 
 

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Meus Despropósitos nasceu da vontade de colocar pra fora o que transborda: histórias, devaneios e verdades que insistem em virar texto. É um projeto literário independente dedicado a textos, crônicas e reflexões sobre o cotidiano, os afetos e as incertezas de ser.

Aqui, escrevo o que penso, o que sinto e o que não sei dizer em voz alta. Meus Despropósitos é meu jeito de fazer sentido do caos.

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