A carne só cai no prato do vegano.
- Henke Henning
- 3 de nov. de 2025
- 2 min de leitura

A frase em um primeiro momento pode parecer piada de bar, mas carrega uma verdade incômoda. A vida, destino ou como queira chamar, tem esse talento peculiar, esse senso de humor, de colocar nas mãos de outra pessoa a chance que a gente jurava que aproveitaria muito melhor. Ou oferecer o que queremos… quando o momento é outro e já não queremos mais.
Há um tipo de dessincronia silenciosa que rege as oportunidades. Elas não seguem o mesmo calendário que a gente. E muito menos respeitam o nosso preparo. Às vezes é como um rodízio que você chega com muita fome. Come a pizza portuguesa, a de mussarela, a de milho, mas queria mesmo que chegasse a de calabresa.
O pior é que você está na mesa 15 e as pizzas de calabresa terminam antes de chegar na mesa 8 e você tem certeza de que essas pessoas estão comendo só para se empanturrar. Elas não curtem tanto a pizza de calabresa quanto você.
E é aí que mora o desconforto: ver o outro diante daquilo que você desejava, e pensar “se fosse comigo…”. Mas talvez a questão não seja o prato, nem a carne, nem o vegano. Talvez a vida só esteja testando se você entende que o tempo dela não é o mesmo que o seu.
Ou então você precisa fazer mais amigos veganos dispostos a dividir as carnes que eventualmente caírem no prato deles.
Oportunidades, no fim das contas, não são apenas sobre merecimento, mas sobre momento. E o momento certo raramente é o que a gente esperava. Às vezes, é preciso aceitar que o prato caiu na mesa errada — ou que ainda não era a sua vez de se sentar à mesa.







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