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Falar faz falta

A gente fala pouco sobre o que é bom.


Parece que o elogio ficou tímido, encolhido num canto, esperando uma ocasião especial para dar as caras. Enquanto isso, a crítica anda solta, ligeira, extrovertida e quase ansiosa para ser dita.


Ou que a gente se acostumou a olhar o mundo procurando o erro. Um deslize vira manchete, já o acerto, nota de rodapé. A gente faz certo tantas vezes, mas basta um tropeço pra parecer que nada mais valeu. É como se uma questão errada anulasse duas certas, como naquelas provas que não perdoam distrações.


O problema é que, com o tempo, essa lógica vai cansando.


Dois homens se abraçam carinhosamente em uma rua, um deles sorri. O homem à esquerda usa camiseta estampada, o outro veste azul. Fundo urbano.

A gente começa a achar que fazer o melhor não compensa tanto, que o esforço se dissolve no silêncio. E o silêncio, às vezes, pesa mais do que o que é dito.


Por isso, é importante falar. Dizer que o outro faz diferença. Que o gesto foi bonito, que a atitude tocou, que a presença conforta. Falar que lembrou, que pensou, que se importou.


Talvez eu seja mesmo sentimental demais em pensar assim. Sensível demais, quem sabe. Mas é que eu acredito nessa força mansa do carinho dito em voz alta. Num “obrigado” que não espera retorno, num “você faz bem” que não precisa de ocasião.


Porque, por mais que pareça, ninguém é tão forte que não precise ouvir que importa. E, convenhamos, um carinho de vez em quando cai bem.

 
 
 

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Meus Despropósitos nasceu da vontade de colocar pra fora o que transborda: histórias, devaneios e verdades que insistem em virar texto. É um projeto literário independente dedicado a textos, crônicas e reflexões sobre o cotidiano, os afetos e as incertezas de ser.

Aqui, escrevo o que penso, o que sinto e o que não sei dizer em voz alta. Meus Despropósitos é meu jeito de fazer sentido do caos.

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