Insosso
- Henke Henning
- 6 de ago.
- 1 min de leitura
Se despedidas são amargas, o silêncio é insosso.
A despedida, por mais dolorosa que seja, ainda tem gosto. Carrega lágrimas, abraços demorados, portas que se fecham e palavras que tentam explicar o inexplicável. Ela machuca, mas oferece um ponto final.
O silêncio não.
Nem todo silêncio é paz. Pelo contrário! Ele pode vir de uma batalha vencida onde, ironicamente, apenas o outro lado lutou. Afinal, para o outro lado não havia batalha. O calado vence e nem percebe.
E assim, a relação vai perdendo o sabor.
Não houve discussão. Não houve adeus. É como se, distraído, eu seguisse o caminho falando com alguém que eu achava ainda estar me acompanhando, mas ficou para trás.
O silêncio é insosso porque ele não oferece o amargor necessário para aceitarmos o fim. Ele apenas tira o gosto das coisas aos poucos, até que um dia percebemos que aquilo que chamávamos de vínculo já não alimenta ninguém.
O silêncio apenas nos deixa morrendo de fome.




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