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Insosso

Se despedidas são amargas, o silêncio é insosso.



A despedida, por mais dolorosa que seja, ainda tem gosto. Carrega lágrimas, abraços demorados, portas que se fecham e palavras que tentam explicar o inexplicável. Ela machuca, mas oferece um ponto final.


O silêncio não.


Nem todo silêncio é paz. Pelo contrário! Ele pode vir de uma batalha vencida onde, ironicamente, apenas o outro lado lutou. Afinal, para o outro lado não havia batalha. O calado vence e nem percebe.


E assim, a relação vai perdendo o sabor.


Não houve discussão. Não houve adeus. É como se, distraído, eu seguisse o caminho falando com alguém que eu achava ainda estar me acompanhando, mas ficou para trás.


O silêncio é insosso porque ele não oferece o amargor necessário para aceitarmos o fim. Ele apenas tira o gosto das coisas aos poucos, até que um dia percebemos que aquilo que chamávamos de vínculo já não alimenta ninguém.


O silêncio apenas nos deixa morrendo de fome.

 
 
 

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Meus Despropósitos nasceu da vontade de colocar pra fora o que transborda: histórias, devaneios e verdades que insistem em virar texto. É um projeto literário independente dedicado a textos, crônicas e reflexões sobre o cotidiano, os afetos e as incertezas de ser.

Aqui, escrevo o que penso, o que sinto e o que não sei dizer em voz alta. Meus Despropósitos é meu jeito de fazer sentido do caos.

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