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mea culpa


A culpa acredita que, se pensarmos tempo suficiente sobre o que aconteceu, o passado acabará cedendo. Como se a lembrança pudesse alterar os fatos. Como se o arrependimento tivesse o poder de reescrever um capítulo já impresso.


Mas o passado nunca aceitou revisões.


A culpa vive fazendo perguntas para as quais o mundo já não tem respostas. Ela transforma a memória em um tribunal onde somos, ao mesmo tempo, réu, acusação e juiz. E, quase sempre, a sentença já está decidida antes mesmo do julgamento começar.


O curioso é que a culpa raramente enxerga quem nós éramos naquele instante. Julga o passado com a lucidez que só o futuro poderia oferecer. Esquece que tomamos decisões com o que sabíamos, com o que sentíamos e com a coragem (ou o medo) que tínhamos naquele momento.


Talvez seja por isso que ela doa tanto.


Há culpas que merecem e podem ser reparados. Um pedido de desculpas. Uma conversa difícil. Uma mudança de postura. Mas existem outras que já cumpriram seu papel há muito tempo e continuam vivendo apenas porque insistimos em alimentá-las.


O perdão não apaga o passado. Também não transforma erros em acertos. Apenas devolve o tempo ao lugar onde ele sempre esteve: seguindo em frente.


A culpa é o único relógio que insiste em andar para trás. O perdão começa quando entendemos que o tempo nunca fez o mesmo.

 
 
 

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Meus Despropósitos nasceu da vontade de colocar pra fora o que transborda: histórias, devaneios e verdades que insistem em virar texto. É um projeto literário independente dedicado a textos, crônicas e reflexões sobre o cotidiano, os afetos e as incertezas de ser.

Aqui, escrevo o que penso, o que sinto e o que não sei dizer em voz alta. Meus Despropósitos é meu jeito de fazer sentido do caos.

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