mea culpa
- Henke Henning
- 3 de ago.
- 1 min de leitura

A culpa acredita que, se pensarmos tempo suficiente sobre o que aconteceu, o passado acabará cedendo. Como se a lembrança pudesse alterar os fatos. Como se o arrependimento tivesse o poder de reescrever um capítulo já impresso.
Mas o passado nunca aceitou revisões.
A culpa vive fazendo perguntas para as quais o mundo já não tem respostas. Ela transforma a memória em um tribunal onde somos, ao mesmo tempo, réu, acusação e juiz. E, quase sempre, a sentença já está decidida antes mesmo do julgamento começar.
O curioso é que a culpa raramente enxerga quem nós éramos naquele instante. Julga o passado com a lucidez que só o futuro poderia oferecer. Esquece que tomamos decisões com o que sabíamos, com o que sentíamos e com a coragem (ou o medo) que tínhamos naquele momento.
Talvez seja por isso que ela doa tanto.
Há culpas que merecem e podem ser reparados. Um pedido de desculpas. Uma conversa difícil. Uma mudança de postura. Mas existem outras que já cumpriram seu papel há muito tempo e continuam vivendo apenas porque insistimos em alimentá-las.
O perdão não apaga o passado. Também não transforma erros em acertos. Apenas devolve o tempo ao lugar onde ele sempre esteve: seguindo em frente.
A culpa é o único relógio que insiste em andar para trás. O perdão começa quando entendemos que o tempo nunca fez o mesmo.




Comentários