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Preciso esvaziar o aspirador


Eu já me acostumei com os pelos de cachorro espalhados pela casa. Estão em todos os cantos — sofá, tapete, roupas… e, sinceramente, já nem reparo tanto. A convivência diária faz a bagunça parecer parte da decoração. Um perigo. Porque assim eu vou adiando a faxina até as últimas consequências.


Passo o dia fora ou preso em frente ao computador, e essa sujeira só me incomoda de verdade quando quero descansar — ou quando vou calçar uma meia e descubro que ela parece ter passado um fim de semana com o Chewbacca.


Quando finalmente decido varrer ou passar um aspirador, descubro uma quantidade de pelos capaz de montar outro cachorro, de porte pequeno. Sem exagero: preciso esvaziar o cesto do aspirador na metade do serviço e dá pra encher uma sacola de supermercado com o resultado final.


Mas aí me bateu um pensamento: talvez o problema é que eu faço o mesmo com a mente.

Deixo as coisas se acumularem — sentimentos, preocupações, pensamentos — tudo ali, quietinho num canto, esperando o momento certo pra eu lidar. Só que, quando chega a hora da faxina, o trabalho é sempre maior do que deveria.


Talvez o segredo seja esse: passar a vassoura um pouquinho por dia, antes que a bagunça vire parte do cenário.

 
 
 

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Meus Despropósitos nasceu da vontade de colocar pra fora o que transborda: histórias, devaneios e verdades que insistem em virar texto. É um projeto literário independente dedicado a textos, crônicas e reflexões sobre o cotidiano, os afetos e as incertezas de ser.

Aqui, escrevo o que penso, o que sinto e o que não sei dizer em voz alta. Meus Despropósitos é meu jeito de fazer sentido do caos.

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