Sperare
- Henke Henning
- 2 de ago.
- 1 min de leitura

Esperança vem de esperar, mas nunca será sobre “ficar parado”.
A esperança nasce justamente quando não existem garantias. Se o amanhã fosse uma certeza, não precisaríamos dela. Bastaria um calendário.
Há quem confunda esperança com otimismo. Como se ela fosse acreditar que tudo dará certo. Mas a esperança conhece o fracasso, atravessa despedidas, sobrevive às portas fechadas. Ela apenas se recusa a aceitar que o último capítulo já foi escrito.
É um sentimento discreto. Não faz promessas grandiosas. Apenas nos convence a levantar da cama mais uma vez. A mandar aquela mensagem. A plantar uma semente sabendo que talvez outra pessoa colha os frutos. A arriscar o inseguro e, se der errado, acreditar que ainda não é o fim.
A esperança mora nos pequenos gestos. Na coragem quase invisível de continuar tentando quando ninguém está olhando.
Talvez por isso ela seja tão discreta de vez em quando. Apenas caminha ao nosso lado, lembrando que o futuro ainda não aconteceu e que, justamente por isso, ainda pode nos surpreender.
Esperar, afinal, não é contar os dias. É continuar vivendo enquanto eles passam.




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